Monday, June 04, 2007

sw 6

Querido Manuel.

O João Campos tinha ficado adormecido na cama, aínda tonto do álcool,
no momento imediatamente anterior à ressaca do próprio dia.

Os outros tinham ido para as discotecas de Mestre, depois do jantar
improvisado no apartamento.

Eram 7 ou 8, todos de arquitectura, em fase de entregas. Todos parvos.

Aínda no 1 (Piazzale Roma - Grand Canale) sabem pela belga que vive
perto que a casa está a arder.

-Isso não pode ser, ficou lá o João. Foda-se o João!

Silêncio, quase silêncio até à chegada a terra.

Saem a correr em direcção à casa.

Nem fumo nem fogo.

Nem casa.

Tijolos à vista e mais nada.

Um filme mau e mal feito.

Nada que acontecesse na realidade.

As velas que ficaram acesas numa tábua por cima da janela.

Não se fala disso.

O João chega a chorar ao lado das neo-budistas do Porto com quem se goza.

Iam saudar o sol e salvaram-no no caminho.

O Bruno também já chorava quando se lembrou que ficou sem as únicas
fotografias que tinha da mãe.

Os outros agarravam-se ao João que disse:

-Eu sei lá como é que se agradece esta merda às gajas...

Tudo isto para te dizer que também não estou a ver muito bem como é
que agradeço aquela merda.

1 ab do teu sobrinho:

João Campos

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